sexta-feira, 22 de julho de 2016

Imaginações violadas, poema RCF





O padeiro exerce o fermento
na alquimia do forno
que tudo assa: trigo e cotidiano.

Há fila de espantos
para comprar o alimento
que já está em nós:
rotina de existir todas as manhãs.

Há algo de bíblico
em meu ateísmo amanteigado
e no confuso café com leite
em que as matérias filosóficas
se reduziram, em minha mesa, a migalhas.

A imaginação é o grande padeiro,
de um lado me fermenta,
de outro me coloca em seu forno:
a combustão de existir.



(do livro Eterno passageiro, Varanda, 2004)


imagem retirada da internet: Igorkmarques

 

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