quarta-feira, 25 de maio de 2016

Tristeza marinha




Sofro de tristezas marinhas
e, no lusco-fusco
das minhas tormentas,
na umidade das indecisões,
a noite ilumina-se
nos abismos da vertigem.

Pertenço ao armário
das armas incompletas:
como xícara sem asa
ou graxa que endurece e racha.

De alumínio são meus nervos
                 – dúcteis com aparência de aço.
Sou troco que se recusa,
embora maior quando dizem
                 que me dobro.

Meu quarto é um terço do que sou.
E um terço do que sou é meu rosário.

Pai nosso que estás no céu,
a soma dos meus ângulos
é um teorema de nulidades.


(do livro Andarilho)


fotot: rodney smith

Nenhum comentário:

Postar um comentário