terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O beco do corpo, poema RCF




A febre faz mormaço no meu corpo.
As juntas discordam
o bípede que hospedo.
Mínima queda de braço
derruba o dedo levantado da presença.
O que é víscera
se comporta à flor da pele onde nada medra.
Este calafrio responde ao calor
que insiste em tremer
o que se paralisou.
Nenhuma aspirina cura meu quebra-cabeça.


(do livro A máquina das mãos, 7Letras, 2009)



imagem retirada da internet: julianery

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