quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A construção da ponte, poema RCF




A ponte mostra sua corcova de pilotis,
espinha dorsal pronta para receber
a peridural de cimento,
o aço que anestesia.

A ponte assim descarnada,
pura estrutura,
no compasso ainda da prancheta,
ansiedade das margens que se esperam,
a ponte é um feto de ferro
em sua placenta esparramada de água.




(do livro Eterno passageiro. Brasília, ed. Varanda, 2004)

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