domingo, 1 de julho de 2012

Da linguagem, poema de Hildeberto Barbosa Filho

Meu código
de ira e de uivos
combina signos
perfumados,
sintaxes inauditas.

Na minha frase faz
o tempo vertical.

Meu idioma
é a sobra das coisas
arruinadas.

A poesia bruta
da vida e sua imagens
fraturadas.

Os violinos da morte
numa sinfonia
inacabada.


Hilberto Barbosa Filho acaba de publicar Nem morrer é remédio (poesia reunida), pela Editora Ideia, de João Pessoa. Um dos mais importantes e sólidos poetas brasileiros da contemporaneidade, Hildeberto reúne aqui todos os livros de sua brilhante carreira. Um livro fundamental para quem quer estar antenado com a melhor produção poética do momento.

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