quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Frio de dentro, poema RCF



Não sei se o frio está fora
ou se esfrio o que carrego
sem peso ou medida
mas que tem por hábito
perfurar sem ter agulha.
Carrego o frio úmido e seco.
Úmido quando goteja outro tipo de dor
que não dói no corpo
e seco ao extirpar o que acalenta.
Vou me tomando de agasalho e xarope.
O primeiro esquenta
o corpo que abriga
um frio sem estação;
o segundo, contudo,
não tem prescrição,
nem terapia,
não cura nem alivia
o frio da queda
para o qual não há
agasalho de riso
ou xarope de gozo.

(do livro Memória dos porcos. Rio: 7Letras, 2012)



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