terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Bola de gude, poema RCF



O jogo de bola de gude
com sua constelação de estrelas redondas,
cada buraco negro
era uma galáxia
que engolia
sob o sequestro da gravidade
a estrela que tinha entre os dedos.
O menino mirava o jogo
e a vida era o jogo.
Difícil era acertar
o rumo da vida,
que é outro tipo de estrela redonda,
pois se recusa a entrar
nas casas que a esperam.
E o que resta é ficar
trombando, bola com bola,
casa ou búlica,
e o eterno choque de cabeças que rolam.

(ilustração: "Bola de meia, bola de gude", de Gabriel Ferreira, 2007)

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