sexta-feira, 24 de março de 2017

Poema Francisco Costa Fernandes Sobrinho (1914-1960), meu pai




Veritas


 Se fosse pura, límpida a amizade
que revelaste um dia com teu beijo;
se te não fora simples leviandade,
porém virtude excelsa que desejo;

se, não da carne vil que em ti rebrade,
mas de peito pudico num lampejo,
partira a furibunda tempestade
dos arroubos de amor que ainda revejo;

não trocarias tão irrefletida
a paz do nosso amor, o ninho quente
pelos prazeres fúteis desta vida;

não furtarias a meu lábio ardente
a morna taça, em parte já bebida,
do amor fingido que teu peito sente.



São Luís, 1935

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