sexta-feira, 24 de junho de 2016

A hora ausente, poema RCF




A moenda dos dias tritura o que já é bagaço.
É muito tarde para inventar a hora e a vida.
Sem rosto,
não me encontro em nada que faço.
Não sei se chego ou se estou de partida.

Não tenho ilusão
a respeito da hora ausente
nem lamento
o fardo afiado da lucidez.
Aqui fico, espectador,
a vida passa,
recolho minhas dores civis,
conclusão: fui o fazedor que nada fez.




(do livro Estrangeiro. Rio: Sette Letras, 1997)



imagem: otto dix

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