sábado, 10 de janeiro de 2015

Je suis Charlie, poema RCF


 

Je suis Charlie
E como Carlitos,
torto, mergulho no desenho do absurdo.
E como um risco,
corro o traço das fugacidades,
o horror das linhas,
fio sem meada,
a estratégia do terror
que rabisca a bala
o desafio dos últimos
ultrajes ao desespero
de ser humano.
 
Nous sommes Charlie,
presos à Kalashnikov,
sem nenhuma sátira,
a rigidez e a falta de humor
que se esboça no cartum
radical das negações.
Somos o último sátiro,
a rir de nós mesmos,
nas bataclavas
que negam o rosto do homem,
o encapuzamento das dúvidas,
o pelotão de fulizamento
ao homem comum.
 
Ils sont les autres
e os outros são o inferno,
a artilharia sem humor,
a sentença de morte
por pensar e criar
– a arte é uma arma quente.

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