quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O quarto inútil, O difícil exercício das cinzas


 

 

Havia um muro urdido
na renda de bilro
em que o tempo fiava
a juventude e, ainda nova,
luzia um lugar nítido.
 
Aos poucos as luzes,
que antes eram nulas e frias
acalantam cantigas
que se perderam entre colunas e becos.
 
Não voltaremos o rosto
ao frio das manhãs
nem aos acordes sinfônicos
de uníssonos pios
que, como a luz e sua sombra,
ecoavam pelo quarto inútil.
 
 
(do livro O difícil exercício das cinzas. Rio 7Letras, 2014)

Nenhum comentário:

Postar um comentário