quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Zoológico, poema RCF




Todo zoo é particular
e não conta com os bichos de sempre.
O esgueirar-se de bicho
anfíbio que pode viver nos escritórios
e respirar o ar insalubre das ruas.
Tem o bicho de sete cabeças:
o bicho condenação ao abandono,
o jaguar do sonho ruim,
as ruinsmanhas do esquecimento,
tem bicho girafa com sua
escada magirus de ansiedade,
o tanque de guerra dos rinocerontes
que pastam indiferentes aos homens,
mas também tem o tamanduá
que lambe as horas
e seu primo ave que engaiola os minutos.                                       



(do livro O difícil exercício das cinzas. Rio 7Letras, 2014)

Nenhum comentário:

Postar um comentário