quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O gato, poema RCF




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O gato
garras de adaga turca
passos de pantufa
músculos de mola
mia minha solidão
de pelo eriçado.

O gato
que vive em mim
arranha a razão
se esgueira nos cantos
sem vértebras do pensamento
olhos de gude
a mirar arisco
arreganha os cacos de vidro
na lâmina da boca
até que, sopranista,
me enreda no enredo
do gatuno sonho acordado
do pesadelo felino
em que minha vida torvelinho
na meada do novelo dos meses
a mim transformou o ferino
em bicho animal
em que a jaula não é o apartamento
mas as sete vidas do pensamento.




(A máquina das mãos, 2009)


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