domingo, 5 de fevereiro de 2017

Os doidos da Psicopata, poema RCF



Tenho a disciplina rebelde das águas,
o aquartelamento dos sentidos,
as hipóteses das cadernetas de telefone.
É a melancolia das coisas imóveis
– abandonadas à inércia –
que me faz duvidar
de um Deus superior.
A canga do sereno
trepa nos meus ombros
e ando à noite
olhando o jardim noturno dos giraluas.
(Que planta exótica pode ser a giralua?
– A giralua –
me respondeu o doido da Psicopata –
é parente noturna do girassol.
Aparece no mesmo pasto
onde ovelhas feitas de nuvem
balem em silêncio)
Aqui, no escuro,
inflado por meu camisolão,
tenho desejos escusos
de não ser nada nem gira nem lua.

(Estrangeiro, 1997)

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