quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Poema de amor, RCF




 


Meus cílios batem asas mas não voam.
Digo ao meu amor: buganvila-me.
Às vezes falo nerudamente.
Sua o corpo de mulher,
fecha os ouvidos da perna
e aí meu pensamento
sussurra em língua Breton.
Três caravelas descobrem
a américa do meu norte:
santa maria pinta e borda,
sob os olhares de Nina.
E aí me pergunto:
de quantas luzes
se faz um escuro?
Ela, com sexo submarino e salgado.
Uma igreja não é um templo,
mas uma caixa de esperança.
Meu medo às vezes enferruja.



(O difícil exercício das cinzas, 2014)

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