quarta-feira, 9 de março de 2016

Café para dois, poema RCF









O café nos une.
Mas as palavras não se diluem
como quem adoça com pó de gesso.
É preciso degustar
o açúcar refinado das relações perigosas.

Sob a luz fria e fluorescente das negações,
a cegueira das mãos
que não sabem por onde andam.
O que nos separa não é uma mesa.
São a tabula rasa do medo,
a toalha dos bons comportamentos
e as quatro pernas do desejo.





(do livro Andarilho, Rio, 7Letras, 2000)


 

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