quarta-feira, 13 de julho de 2016

Dissolução, poema RCF






Não percebo fuga,
escape ou ladrão que me transborde.
Estou aprendendo a lição de casa,
tão difícil quanto qualquer lição da rua.
Não direi mais presente.
Quando vier a chamada direi futuro.
Refazer a ginástica:
pegar a própria barra para ascender.
Sou como os jardins que são florestas mansas
controladas por mão arquiteta,
na planta de papel vegetal,
na lobotomia da poda
ou no choque elétrico do cortador de grama.





(do livro Eterno passageiro. Brasília: Varanda, 2004)

imagem retirada da internet:miró

 

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