terça-feira, 19 de julho de 2016

Minha Foz não é do Iguaçu, poema RCF





A rotina muralha o dique das vontades.
Tudo comporta minha voracidade represada.
As hélices da liberdade
logo percebo são asas de borboleta,
lúbricas, mas aleatórias e divergentes.
O que me põe elétrico são as turbinas do sonho.
Em outros momentos, seco-me.
Desaba sobre mim o desânimo.
Não sinto nenhuma energia.
Só uma queda na seca.
Um arame de água
– o desconforto do abismo –
nada de mar vertical,
o drama de esperar
a catarata do tédio
as sete quedas da semana.



(do livro MEMÓRIA DOS PORCOS. Rio: 7Letras, 2012)

(Sete Quedas, de Reginaldo Pereira)

 

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