terça-feira, 6 de setembro de 2016

Horas tortas, poema RCF


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Aqui a lâmpada me vigia
com seu grande olho branco.
Pingam os minutos na torneira das horas.
O relógio é bússola
cujo norte é o próximo segundo.
Tudo me olha e controla
até mesmo a imagem no espelho
que passa de lá para cá
e sinto minha ausência
que não se fixa e não me olha.

E então busco o sono,
mas a insônia, prima da solidão,
segura minhas pálpebras abertas
com as pinças do sol da meia-noite.
A solidão escorre pelas paredes brancas
e um fio de silêncio cai do teto.



(do livro Memória dos porcos. Rio: 7Letras, 2012)


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