segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Solilóquio, poema de Ronaldo Costa Fernandes




Com quantos ferros
se faz uma manhã?

Pernas mecânicas,
bocas mecânicas,
o mundo mecânico dos elevadores
e da depressão.

Os objetos pendem como frutas
– os objetos também amadurecem –,
a seiva dos ferros e madeiras.

A sala precisa ser podada
– que jardineiro extirpará as ervas daninhas do sofá?

A tosse do motor de popa
– onde estão os barcos
na umidade dos prédios?

Os peixes nadam na clorofila das venezianas.




(do livro Andarilho, Rio, 7Letras, 2000)

 
 
imagem retirada da internet: dalí

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