segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O moinho e a bicicleta, poema RCF



Os olhos pisados
miram as pegadas
daquilo que não se pode ver.

E o moinho pervertido,
em vez de grão, mói sombras.
Gira a bicicleta absurda:
rodas de adeus redundante,
guidão de vontades escuras.

Este vestíbulo não antecede a nada
e não me ante-sala para ninguém.



(poema de Eterno passageiro, Ed. Varanda, Brasília, 2004)
 
imagem retirada da internet: magritte

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