domingo, 4 de dezembro de 2016

Os canhões do silêncio, José Chagas





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Aqui eu sou um pastor de luas
acompanho o crescer e o minguar de todas
sei as que a noite escolhe
para o seu alimento de poesia
e as que fornecem o mais puro leite de sonho

O que bebo de lua todas as vezes
dá para minha embriaguez mensal

Aqui o silêncio é história visível
porque o luar se faz memória branca
sobre o quanto de vida cabemos nós
em meses

                As luas contam meus dias
                medem meu tempo
                marcam todas as fases
                de minha solidão

O silêncio é maior quando elas o banham
e ele parece entrar limpo pelos olhos
como uma verdade posta no ar
para explicar a noite

               As luas são muitas porque
               nenhuma lua é a mesma lua
               quando volta a sua face
               para as coisas do mundo









(trecho interrompido do longo poema - todo um livro - com uma só temática em que o pano de fundo é a cidade de São Luís. José Chagas é um dos grandes poetas brasileiros e seu livro Os Canhões do Silêncio, uma obra-prima da literatura brasileira.)

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