sábado, 3 de dezembro de 2016

Um homem, poema RCF



 



Não conhece os homens,
nem as marés, nem o murmurar do vento.
Quer ser a rocha,
imune e presa a si mesma,
que se desgasta aos poucos
à passagem solar dos séculos.

Quer a paz dos gerânios,
que sopra dentro dele
como uma brisa marítima.
Quer a simplicidade do pão
que se divide e alimenta a manhã,
ser apenas:
o vento, a pedra, um homem.



(do livro Memória dos porcos. Rio: 7Letras, 2012)


(pinacoteca de são paulo: bruno giorgi)

Nenhum comentário:

Postar um comentário