segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Horas mortas, poema RCF




Vou para o campo
para ser contemporâneo das flores.
Mas levo a praga da cidade comigo.
Tudo aqui é químico
desde o adubo até as árvores
plantadas para ser papel ou palito
no campo de concentração das fábricas.
Evitar tocar a infecção que é o outro.
O problema é que para certas doenças
e ideias não há vacinas
(e nem mesmo se pode dizer que,
como o sarampo, quem pegou a enfermidade
estará sempre imune).
Quero de volta a moléstia da juventude,
o magazine de descobertas,
em cada balcão a oferta de hormônio,
a vitrine dos desejos
e os elevadores da emoção.


Paris, abril de 2011

(Memória dos porcos. Rio: 7Letras, 2012)

imagem retirada da internet: rodtchenko

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