sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Luzes da cidade, poema RCF






A cidade lambe sua ferida
enquanto se mumifica na seca.

Úmido de meus humores,
caminho neste deserto
onde nenhuma paixão orvalha.

A angústia de quem é vivo
– os pés já não dão frutos,
o tronco desempinado,
as folhas secas das mãos.

A seca reinventa a fisiologia,
evaporo minhas asperezas.

Os pássaros bicam a claridade,
o branco que tudo empalha.




(Eterno passageiro, 2004)


imagem retirada da internet: lagoa seca by ricardo grimm

Nenhum comentário:

Postar um comentário