segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O telefone, poema RCF


O telefone,
quando não rumina
a língua como chicletes,
pode transformar
o dente em bala,
fazer da saliva argamassa.

O telefone,
anatomia de um só ouvido,
tecnologia de conchas arbitrárias,
pode vir a ser telegrama de vozes,
revólver na têmpora.



(do livro Eterno Passageiro, Ed. Varanda, Brasília, 2004)



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