sábado, 4 de fevereiro de 2017

Tormenta dos caminhos, poema RCF




A blasfêmia se alimenta
de criadouro de ouvidos.
O maldizer engorda em cativeiro,
até que se abra a gaiola
e o burburinho inche
seu papo amarelo de intriga.

Não há como arbitrar o limo.
A língua tem lá suas escamas.
Os cabelos das ondas
necessitam de cachos para espumar.
As correntezas são outro
caminho de água
dentro da água.

Preciso de faca para escamar,
de secura para fugir do limo,
de imaginação para ser
um caminho entre caminhos.


(do livro A máquina das mãos, Ed. 7Letras, 2009)


imagem retirada da internet: miró

 

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