sexta-feira, 17 de março de 2017

A mesa, poema RCF


A mesa, silente,
ignorada e múltipla como um garçom,
não pode gemer seu intestino de cupins.

Art-nouveau, barroca, inglesa, manuelina,
a mesa,
com sua prisão de ventre de madeira,
vara o tempo.

A mesa pasta, por fim, o homem,
principal alimento,
enquanto o homem pensa
que nela se alimenta.



(do livro Andarilho, 7Letras, Rio, 2000)

imagem retirada da internet: botero

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