domingo, 12 de março de 2017

Poema sobre arames


Há mãos farpadas
que não ouso tocar
assim como algumas
barbas que é o ódio
que escorre
das comissuras da boca.

Há lençóis de arame farpado
na cama de dois
que não são mais um.

Ah coleção de línguas
que ao lamber a carne
abrem feridas.

Já o arame dos teus olhos
são farpas que nada cercam.
Tuas cercas, até mesmo tuas cercas,
são mais vivas que as minhas.

Farpada é minha mente
que me fere quando penso
o que pensar não deveria.



(do livro A máquina das mãos, 7Letras, 2009)

imagem retirada da internet: barbed wire

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