terça-feira, 11 de abril de 2017

Popol Vuh, poema RCF





Os meninos semideuses desceram ao inferno de Xibalbá
e lhes deram – os diabos -
um archote e um cigarro
a fim de que passassem a noite
e quando viesse a manhã
devolvessem inteiros cigarro e archote.
Os meninos semideuses
puseram pena de arara no archote
e vaga-lume na ponta do cigarro.
Os diabos vigiaram.
Na manhã seguinte, os diabos foram vencidos
pela esperteza dos meninos: intactos
estavam o archote e o cigarro.
Os diabos que me vigiam à noite
me dão um livro
que tenho que ler sem avançar na história
e, na manhã seguinte, entregar na mesma linha
que iniciei a leitura,
mesmo sabendo que as folhas estão em branco.





(Andarilho. Rio: 7Letras, 2000)



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