segunda-feira, 1 de maio de 2017

O gavião, RCF




O primeiro golpe
a vítima do gavião
sofre com a luneta
dos olhos espichados.
Depois a dor da presa
na algema das garras
e, por fim, o bisturi
do bico.

O gavião sabe
que a surpresa
é a mestra das armadilhas
e que, nela,
se esconde a guilhotina do susto.

O gavião usa
relógio.
O relógio do gavião
não tem ponteiros:
não há atraso
nem adiantado.
A morte é pontual
como um relógio enguiçado.

O gavião desafia
sua própria sombra
a qual nunca pode alcançar
e voa em círculos
na esperança de que ela,
por cansaço,
tema e, temendo,
comece a se esgarçar.

imagem retirada da internet: miró

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