terça-feira, 23 de maio de 2017

Tristeza, poema RCF





Sou um sujeito antes só
que mal acompanhado ando de mim.
Quis dar vizinho à estranheza:
ando baldio e terreno.

Ser outro,
anônimo ou todos
como numa lista telefônica.
Aqui é preciso um pouco de margem
para sanear as vontades.
A mão de fevereiro é devassada.
O pior motor é o da memória:
apenas range os dentes de popa
que não se usam mais.
Tristeza é o nome antigo de Deus.

 
(do livro Eterno passageiro, Ed. Varanda, 2004)


imagem retirada da internet: lucien freud

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