domingo, 11 de junho de 2017

A ira, poema RCF




é quando o palheiro
cabe na agulha

é quando não apenas
a camisa é de força

mas de força
           são
                a calça
                os sapatos
               ( de chumbo
               ou cimento )
o terno
              inclusive o corpo
              crispado
              imóvel
              inerme
              no suor dos erros
a violência
nômade
do ciclone
furioso
em seu caminho
de si mesmo
arma de grosso
caribe,
levando
por onde passa
              cancelas
              pára-raios
              e a exatidão
              das palmeiras

intestina
rodopiando
nas tripas do desatino
ou circula
rubicunda
              na montanha-russa
              das veias

forno que se incinera
– combustão espontânea –
                            sem precisar de diesel
                            lenha ou razão


(do livro Andarilho, 7Letras, Rio de Janeiro, 2000)


imagem retirada da internet: anacamaarra


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