sexta-feira, 7 de julho de 2017

Lavoura humana, poema RCF


O homem é a praga do homem.
As máquinas da secura das fábricas
produzem o comércio das falhas.
Nenhuma lavoura o socorre,
nenhum plantio de gesto.
Meu corpo é fértil
e nele nascem folhagens febris.
Temo flores malditas
como comigo ninguém pode
ou maria vai com as outras.
Tive muitas marias sem vergonha, oh, sim, tive.
O inseticida do fácil pode apodrecer a aurora.
O errático tem suas nervuras,
seiva escura e amarga,
cipós de negação,
solo seco de certezas.


(de O difícil exercício das cinzas, 2014)

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