quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

O telefone, poema RCF


O telefone,
quando não rumina
a língua como chicletes,
pode transformar
o dente em bala,
fazer da saliva argamassa.

O telefone,
anatomia de um só ouvido,
tecnologia de conchas arbitrárias,
pode vir a ser telegrama de vozes,
revólver na têmpora.



(do livro Eterno Passageiro, Ed. Varanda, Brasília, 2004)