sábado, 7 de maio de 2016

El animal barbado, poema em espanhol RCF




Este animal que se rasura
como quien raspa la oreja del cerdo
para el plato del domingo,
este animal feroz y matutino,
como un autorretrato,
con sus ojos 3 x 4,
observa el paisaje desde la ventana
y al otro lado del cristal
está él mismo,
es él el paisaje que envejece
cada vez que la visita.
Este hombre al espejo,
cuchilla de martirios y angustias violáceas,
afeita su minuto y su muerte,
exasperada y afilada servidumbre,
la conciencia espumosa de la pequeña guillotina.


(del libro Eterno Passageiro, Ed. Varanda, Brasília, 2004)





O animal barbado

Este animal que se rasura
como quem raspa a orelha do porco
para a feijoada de fim de semana,
este animal feroz e matutino,
como um auto-retrato,
com seus olhos 3 x 4 ,
observa a paisagem da janela
e do outro lado do vidro
está ele mesmo,
é ele a paisagem que envelhece
cada vez que a frequenta.
Este homem ao espelho,
gilete de martírios e angústias violáceas,
barbeia seu minuto e sua morte,
exasperada e afiada servidão,
a consciência espumosa da pequena guilhotina.


(do livro Eterno Passageiro, Ed. Varanda, Brasília, 2004)


 
Tradução Alícia Silvestre e alunos de pós-gradução da UnB

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Lección de anatomia, poema em espanhol RCF




Soy cosa
Algo semejante a
                       lápiz o vela
que para existir se consume
esgrimiendo garabatos o quemándose
en el fulgor de las palabras o en la luz suicida
que ilumina mientras se inmola.

El bombo de los solitarios es el mismo que el de los eufóricos
gime con la misma voz sorda
al compás del tiempo de las matrices.

La tarde
con su envoltura de nubes
conspira con voces en la liturgia de los alborotos.

La vida es un error:
                             algunos llegan a ser sentenciados
                             a los ochenta años de vida.


(do livro Andarilho, Ed. 7Letras, Rio de Janeiro, 2000)

 
 
Lição de anatomia


Sou coisa
Algo assemelhado a
                           lápis ou vela
que para existir se consome
esgrimindo garatujas ou se queimando
no fulgor das palavras ou na luz suicida
que ilumina enquanto se imola.

O bumbo dos solitários é o mesmo dos eufóricos
geme a mesma voz surda
no compasso do tempo das matrizes.

A tarde
com seu invólucro de nuvens
conspira com vozes na liturgia dos alvoroços.

A vida é um erro:
alguns chegam a ser sentenciados
a oitenta anos de vida.


(do livro Andarilho, Ed. 7Letras, Rio de Janeiro, 2000)



Traducción de Alícia Silvestre y su equipo de alumnos en la Universidad Nacional de Brasília

terça-feira, 3 de maio de 2016

Bandera, poema em espanhol Ronaldo Costa Fernandes





Mi bandera es no izar bandera.
Mi bandera es el toque de silencio,
la muerte del soldado desconocido
que soy.
¿Quién pondrá flores
en este monumento a mi batalla?
Mi orden no tiene progreso.


Traduzido por Alicia y por su grupo de traducción de la Universidade Nacional de Brasília


Bandeira



Minha bandeira é não dar bandeira.
Minha bandeira é o toque de silêncio,
a morte do soldado desconhecido
que sou.
Quem depositará flores
neste monumento à minha batalha?
Minha ordem não tem progresso.


(do livro A máquina das mãos, 7Letras, 2009)