sábado, 10 de fevereiro de 2024

A nervura das fotos,, poema

 


 

 


 

 

 

Que diálogo haverá

entre o que está na foto

e o outro que me mira?

Toda uma vida

não cabe

no tempo celular das fotos.

A máquina que me desbasta

os cabelos da memória

e cria um deserto de fauna humana

é a máquina zero do tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

O grêmio dos córregos, oema


 

 


 

 

 

Orvalho o suor,

cultivo o sereno,

um passarinho

mal me viu

vem me piar

o bem da terra.

Pastoreio meus olhos

para subir as encostas

que deveriam se chamar

as escadas da montanha.

Meus sentidos então

se cabritam

e cabeceiam o silêncio.

Sou muito rural

quando me calo.