quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Mesa redonda, poema

 


 


 

 

As cadeiras

em volta da mesa

brincam de roda.

Às vezes

rodo em volta da mesa,

meus quatro pés de madeira,

minha boca de álcool,

meus dedos de colherinha,

meus ouvidos

de dar dó,

um dó maior.

 

Meu coração entra na roda

e samba

– meu coração é uma mesa-redonda

de opiniões contraditórias.

Algumas vezes

as mesas se despenteiam,

as mãos nas cadeiras.

 

Deixo de herança

apenas a roda da fortuna

que me põe de cabeça pra baixo.

Meus livros

são cartas na mesa

com destinatário desconhecido.

Toda mesa é de jogo

quando a gente se senta para escrever

– cada palavra é parte de uma roleta.

Meus versos são minha roleta-russa.