quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Fachada, poema de Donizete Galvão




Logo vai terminar o prazo
para o homem construir sua fachada.
Ele continua em andaimes.
                                       Provisório.
Exibe máscaras cambiantes.
Sua face inconclusa,
sustentada por ferragens,
parece esconder que,
em todos esses anos de obra,
ergueram-se inúteis plataformas
para edificar um escombro.

(do livro O homem inacabado, São Paulo: Portal Literatura, 2010)

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