sábado, 20 de maio de 2017

Zoologia da vida e da morte, O difícil exercício das cinzas


 

A vida e a morte
não deveriam ser femininas.
Não há nada mais neutro 
e pessoal a uma só vez.
A vida é híbrida
como  mula
e a morte é de dois gêneros,
comum e anfíbia,
um jacaré que habita
a água da escaramuça
e sobrevive na terra da surpresa.
O homem é também anfíbio:
regurgita na placenta das casas
e se oferece à ambulatória morte
em cada palmo de terra que pisa.
A mesma condenação dos rios
que não logram fugir do seu destino.
(do livro O difícil exercício das cinzas. Rio, 7Letras, 2014)

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