domingo, 21 de agosto de 2016

Pernas pra que te quero, poema RCF



Minhas pernas são ponteiros sem relógio.
Minhas pernas caminham no salto alto da queda.

Há pernas góticas, finas e torcidas;
há pernas barrocas, gordas e bem torneadas;
há pernas de Gaudí, dispersas e ocas
como a Sagrada Família.

Minhas pernas têm vida angustiada
como um gato miando atrás da porta.


(do livro Andarilho, 2000)

imagem retirada da internet: armitage

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