sexta-feira, 16 de setembro de 2016

As borboletas ásperas, poema RCF





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Nada havia maduro
muito menos nós nos poderíamos
colher tão verdes éramos.
Éramos eternos
como eternos são sonhos
que permanecem sonhos.
Havia caminho sem rumo,
desvios  assustadiços,
becos diversos,
atalhos que encurtavam
o que não estava distante.
Os olhos redondos da surpresa
permaneceram na terra dos inominados
e deram lugar hoje
aos espantos cansados de pálpebras baixas.
As maçanetas que eram borboletas
presas às portas se soltaram
e deixaram no quarto a aspereza do vazio.







(do livro Memória dos porcos, 2012)

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