terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Outubro, poema de Ronaldo Costa Fernandses




Odeio as geladeiras
que conservam corpos esquartejados;
as agendas que escrevem à mão o futuro.
Os cães daqui de casa latem para o sol
como os lobos para a lua.
Não são duas faces da mesma moeda,
mas as duas moedas da mesma face da vida.

Quero ser uno e dois,
aprender com a disciplina dos becos,
lá onde a saída é a entrada.
Quero ser estático e andarilho,
aprender com a disciplina dos rios
que se movem sem sair do lugar.



(do livro Eterno Passageiro, Ed. Varanda, Brasília, 2004)



imagem retirada da internet: francis bacon

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