quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

A ilusão das temperaturas, poema RCF

 

Georg Grosz


 

 

A umidade

com seu cobertor de água

lambe a pele do tempo.

O puçá das dúvidas

pesca hipóteses.

Os hidratantes perfilam,

soldadinhos de ferro,

a solidão vermelha,

como um anão no jardim

da esquina da infância.

A carne moída do passado

e a má digestão dos sonhos.

No grande ocaso de hoje,

a fortuna do círculo.

O futuro é um bicho hospedeiro do homem.

 

 

 

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