terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Os mortos, poema Memória dos Porcos


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   A Júlia, in memoriam





Todos os mortos são um único morto,
todo morto são todos os mortos.
Cada morto é uma metonímia enterrada.
O esplendor de ouro das igrejas
me diz que Deus mandou
fazer o paraíso de ouro,
ele que tanto gosta de fazer
as coisas terrenas iguais às divinas.
Ou somente o homem é imagem e semelhança Dele?
E o inferno é que é à imagem e semelhança da terra?
Lá, no esplendor de ouro,
estão meus mortos,
silentes e atônitos,
sem entender que dor
foi essa chamada vida.








Coimbra, 16.10.2009


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