sábado, 6 de maio de 2017

Vulcão, poema RCF


Vulcão na forja, Giorgi Vasari

Os vulcões têm sangue quente.
Os lençóis freáticos,
ao contrário, mostram
que nas terras antigas
corre sangue frio.
O homem traz dentro de si
o ódio de lava dos vulcões
ou o sangue frio dos répteis
escondidos.
Os raios, espadas de eletricidade,
são desembainhados nas nuvens.
O pior raio do homem
é quando ele se incinera.
O ódio, que é espada e raio,
o atravessa de cima a baixo,
o corpo galvanizado de fúria.
A tempestade não me interessa,
já tenho bastante lava dentro de mim.
Minha eletricidade
é uma espada que carrego comigo
para o trabalho, o shopping, o cinema.
Também tenho meu lençol freático.
Minhas lágrimas, que seriam
meu sangue frio,
são olhos d’água salgada.             


(do livro Memória dos porcos. Rio: 7Letras, 2012)                                                   

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