domingo, 24 de julho de 2016

Memorabilia, poema RCF



A surpresa sucumbe submissa e arredia.
Os móveis tímidos,
pratos desconfiados.
Não sei para que ralo
escorre o líquido solitário.
Sou feito de matéria que desconheço.
Minhas pernas já se acostumaram
a tomar seu rumo.
A gente vai inventando vivência.
O burburinho de roupas falantes,
a algaravia de pernas de voz fina.



(do livro Memória dos porcos. Rio: 7Letras, 2012)



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