quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A moeda, poema RCF




Em 1966, o poeta Jorge Luís Borges,
Às onze horas da noite,
E aos sessenta e três anos de idade,
Em seu escritório em Buenos Aires,
Escreveu um poema sobre uma moeda
Jogada fora que desconhecia
O tempo e seu labirinto.
Neste mesmo dia e hora,
Aos catorze anos,
Estava eu num ônibus da Itapemirim
– caixa de homens movente –
Viajando para o nordeste,
Tentando dormir,
Respirando o ar escuro do ônibus,
Na exsudação dos sonhos trepidantes,
E, como a moeda de Borges,
Desconhecendo o tempo e seu labirinto.


(do livro Andarilho, Ed. 7Letras, 2000)

imagem retirada da internet:moeda romana sec. II a.C.

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