domingo, 8 de janeiro de 2017

Poema Manoel Caetano Bandeira de Mello (1918-2008)



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A vida é absurda e absurdo
é dela o sentimento que me assalta,
e quanto mais lhe alguma trama urdo
o seu entendimento mais me falta.
Ao rumor do mistério sempre surdo,
qual se um outro oceano de onda em alta
pairasse sobre a terra onde me aturdo
no plano de onde a mente nunca salta.
Ah, quanto desejava virlumbrar-te,
ó vida, que me prendes na cadeia
deste tempo que passa sem que o sinta;
quem dera, por algum segredo de arte,
ao menos deslindasse em tua teia
o fio dessa linha nunca extinta.




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