sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sem destino, poema RCF


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Ando com o sol no bolso,
a cara da moeda me sorri bem real,
a beleza faz da tarde seu salão,
as ruas são veias abertas,
mas a fila dos dias não anda.
Então aposto na roleta russa,
jogo pôquer com as cartas que escrevi,
e só tenho a batida do relógio do coração.
Que mais arriscar,
cartão de visitas ou de crédito?
Só eu me visito
e estou em débito comigo.
Amanhã nascerei prematuro,
como a surpresa
que nasce antes da hora.
O que me centra é a dispersão,
preciso emagrecer a dieta da imaginação,
para depois fretar a vida
e sair por aí
blefando meu corpo.



(Memória dos porcos. Rio: 7Letras, 2012)




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